Anjos e Demônios

Quando assisti a esse filme fiquei decepcionada! Dan Brown, que havia conseguido balançar o mundo com O Código Da Vinci, se redime perante o poder da Igreja. Ficou a desejar!
Com certeza o Papa sabe muito mais que todos nós os desmandos e erros cometidos pela instituição que representa. No referido filme, tiveram que criar um indivíduo para ser tido como o louco sobre o qual recai a culpa dos desvarios religiosos. Sabemos que não é assim. Sabemos que em nome da religião foram realizados os mais pérfidos atos. Nossas certezas são a nossa pior característica. Nos pretendemos divinos, nos julgamos os "top de linha da criação" mas podemos bem ser uma involução. Ouvi esta semana no rádio que nossa condição humana decorre de uma fissura, numa divisão da alma. Quando queremos acreditar que evoluímos, que estamos evoluindo, estamos negando os fatos. Na natureza nem toda a evolução é benéfica. Por vezes ocorre uma involução que, em muitos casos decorre de uma mutação em alguma característica anterior do ser que, em não sendo útil, pode inclusive extinguir a espécie.
A inteligência deveria levar o homem a um patamar de vida muito melhor, contudo, esta nossa dita inteligência só nos deu recursos de empurrar para a frente os nossos problemas. Nossa inteligência é a do nosso primo macaco. E todo macaco é matreiro e, por vezes, ladrão. Até a dita infidelidade é, com certeza, um resquício desse nosso cérebro de símio. Podemos muito bem ser claros nas nossas intenções, mas quando somos também não somos aceitos. Acredito que possamos evoluir realmente, mas isso só vai ocorrer quando não tivermos mais como empurrar com a barriga, (e me incluo nisso incondicionalmente) afinal o único ser que aqui esteve e foi autêntico foi crucificado. E nós não queremos bancar as nossas vidas. Adoramos passar a conta para o próximo mais próximo que encontrarmos. Cristo, se é que existiu, pois tenho uma fé raciocinada e não quero duvidar dele, mas tenho certeza  que não foi trazido ao mundo o que e como ele realmente foi. Muitas mentiras de tanto serem repetidas tornam-se verdades. Acredito mais que ele tenha de fato existido mas que tudo o mais foi profunda e ridiculamente deturpado. Ele se dizia nosso irmão e não percebemos que o que ele queria era que olhássemos para nós mesmos, para o nosso interior. Ele não queria ser endeusado e nem idolatrado. Ele queria apenas ser amado. Mas não entendemos nada. Projetamos nela tudo o que desejávamos e quando vimos que ele era simplesmente humano, o crucificamos. No filme do Mel Gibson, essa imagem do Cristo de carne e osso é estupenda. Sou grata por viver hoje numa época que, embora ainda exista a hipocrisia, podemos escolher se a queremos ao nosso lado. Sim, podemos escolher! Muitas vezes, ao nos calarmos estamos compactuando com a hipocrisia. Por outro lado nosso discurso também pode promovê-la. Quando vimos a humanidade de Jesus, viramos as costas ou o condenamos, como ainda hoje continuamos fazendo. Não sou uma pessoa religiosa. Mas procuro a verdade e desenvolvo minha fé. Podemos escolher nossos modelos. Porque é que achamos sempre que tal ou qual fato jamais vai acontecer conosco? Na verdade negamos nossa parte demoníaca, mas de fato a temos, assim como a angélica. Podemos criar ou destruir e ambas as coisas são da nossa parte divina. Mas o que criar e o que destruir. Eis o livre arbítrio.

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